Do Golpe Eleitoral ao Institucional: os partidos oportunistas do estado do Rio



A mídia da direita em nosso país tem insistentemente divulgado para as grandes massas trabalhadoras a existência de uma crise interna que teria como causa a “incompetência do governo de Dilma Rousseff”, apresentando como principal personagem a própria presidenta ou seu partido, o PT.


Por Haroldo de Moura[*]
 
 
 O AMOR É LINDO
A mídia da direita em nosso país tem insistentemente divulgado para as grandes massas trabalhadoras a existência de uma crise interna que teria como causa a “incompetência do governo de Dilma Rousseff”, apresentando como principal personagem a própria presidenta ou seu partido, o PT.

Como argumentos para o desmonte desta assertiva podemos observar alguns fatos objetivos: em primeiro lugar, uma extrema ofensiva das oligarquias financeiras imperialistas que já não conseguem desenvolver políticas econômicas de superação de uma crise que se manifesta não só no Brasil mas mundialmente, uma crise do sistema econômico-social, que além de econômica é estrutural, criando um volume de capital produtivo incapaz de se realizar como mercadoria pelo aumento da produtividade, que desequilibrou a relação capital versus trabalho, empregando meios de produção em maior quantidade e com mais tecnologia e tornando a força de trabalho, ou o trabalho vivo, extremamente dependente das máquinas, principalmente as do Departamento I, produtor de Bens de Produção, e especialmente nos países imperialistas, que avançam sobre o mundo buscando dominar regiões com grandes reservas de matérias-primas, biodiversidade, combustíveis fósseis, biocombustível e água potável, desenvolvendo uma guerra de extermínio e genocídio por diversas regiões do planeta, e expandindo o domínio da tecnologia nuclear por várias nações, inclusive não imperialistas e muitas com Estados de contratendência ao domínio imperialista.

A crise portanto, pela duração, extensão, e pelo abandono de doutrinas que sustentavam o sistema é também uma crise social e de valores ou paradigmas, portanto uma crise de transição do modo de produção capitalista como as leis que dominavam o modelo como a Lei do Valor e a Lei de Acumulação Capitalista.

Para o novo mundo, com a destruição considerável realizada pelos nazifascistas de hoje, o mundo dominado por este sistema entrava o desenvolvimento de novas relações sociais de produção e existência.

O capitalismo se sustenta por um volume intensivo de capital especulativo virtual e guerras de destruição regionais levadas a cabo por grandes empresas particulares de treinamento de mercenários e paramilitares com uma grande legião de estrangeiros; na primeira categoria movem um vasto processo de compra e venda de papéis produtores de mais-valia e valores para as grandes corporações; na segunda categoria substituem parte considerável dos exércitos regulares por estes mercenários que servem como demolidores de meios de produção e destruidores das forças produtivas que não serão mais empregadas após as “reconstruções imperialistas”, em “regiões desagradáveis” aos países centrais.

Contraditoriamente, este processo muda violentamente o caráter das classes sociais produtivas, extinguindo profissões e funções produtivas auxiliares anteriores, trazendo para a qualidade de proletários, profissionais qualificados de nível técnico ou de nível superior (os chamados “profissionais liberais” no alvorecer do capitalismo), porém, par e passo com esta mudança, aumenta da mesma maneira o pauperismo oficial, desenvolvido como uma das principais consequências da Lei Demográfica do capitalismo - espetacular riqueza para uns poucos da classe dominante capitalista e crescente miséria e todas as torturas do trabalho para a grande massa das classes produtivas proletárias, gerando o aviltamento excessivo dos salários nominais e reais pelo aumento recorrente da Superpopulação Relativa ou Exército Industrial de Reserva, descrita brilhantemente por Karl Marx em “O Capital”, que são expulsos dos locais de trabalho pela alta composição orgânica do capital, cada vez mais empregada, fazendo com que até mesmo os mais qualificados não retornem ao ambiente de trabalho e se tornem peças descartáveis do processo ou da realização do resultado deste processo, os produtos enquanto como mercadorias, levando a que as leis de Malthus, irracionalmente, para alguns, passem a ser rotina: com as guerras regionais contínuas, os genocídios e extermínios em massa, e a morte sem trégua pelo narcotráfico ou simplesmente pelo uso continuado de drogas lícitas ou ilícitas.

Outros fatores que justificam a atual conjuntura, até certo ponto, podem ser compreendidos como categorias de caráter nacional, como é o desmonte da base aliada ao poder Executivo, que proporcionava maioria no Congresso Nacional.

Fato que ao se analisar com mais profundidade, enxergamos o PT, considerado um grande partido de esquerda na América Latina, embolar-se com vários partidos de direita, agremiações políticas institucionais fundamentalistas cristãs e, até mesmo, partidos com simpatias nazifascistas; paralelamente, afastou-se de várias correntes de esquerda, muitas por certo extremistas e outras reformistas ou revisionistas, o que não quer dizer que sejam mais consequentes que estes partidos, porém, são forças que poderiam auxiliar o Partido dos Trabalhadores e a presidenta Dilma Rousseff a realizarem contrapontos políticos com maiores possibilidades, porque todos os seus aliados anteriores buscariam suas origens diante dos desafios que passou a enfrentar de forma praticamente isolada em seu segundo mandato.

Apesar das melhorias na eletrificação nacional, em várias regiões do nordeste, norte e centro-oeste com água o ano inteiro, a implementação do programa Mais Médicos, e a ampliação do ingresso nas universidades e escolas técnicas dos filhos do proletariado, devido às suas alianças esses avanços não foram acompanhados da politização das classes trabalhadoras; assim como pela esperança social do PT, de humanização do capitalismo, sistema em que a desigualdade social é sua força motriz, e seus aliados de anteontem são em essência aliados do componente interno desta desigualdade, que são os monopólios associados e subordinados às oligarquias financeiras capitalistas, os quais a cada política compensatória que foi realizada pelo Executivo despertava nestes seu rancor e sua exasperação, levando-os desta forma ao anseio de querer afastar Dilma e seu partido do governo e para isso a investigaram e infiltraram seus agentes e policiais mercenários criando uma onda intensa de ódio contra ela.

Neste contexto, obrigou-se a realizar favores com estes “aliados obscuros”, tanto no comando do governo quanto em projetos “capciosos”, mas, aos primeiros sinais de crise, descompasso entre salários e preços, seguiram seus chefes e aí estão até agora esfaqueando-a pelas costas, como bons traidores, até mesmo seu partido apresenta representantes que querem desmoralizá-la, abrindo um vazio no Executivo, onde “ratazanas” políticas vieram atuar no Congresso e no Judiciário.

Ao mesmo tempo, o fogo em fila da crise de transição do capital atingiu também a América Latina, corroendo as possibilidades de que as políticas externas do governo pudessem ser apoiadas mais fortemente por países como a Venezuela Bolivariana, a Bolívia do MAS, além da Argentina, Chile e Uruguai.

Porém, esta situação no continente afetou também os EUA, que passou a tentar cartadas demagógicas, como o reconhecimento diplomático de Cuba Socialista, que até o momento, entretanto, não mudou em nada a política ou a economia entre os dois países.

Existe também uma preconceituosa questão de gênero envolvida na desmoralização da presidenta, que ora agem deturpando seu passado político como tivesse sido uma assassina, quando na verdade assassinos e desequilibrados mentais foram os que a torturaram querendo quebrar sua fibra revolucionária, em um país de homens covardes e criminosos que ainda estão no poder, entre militares, policiais, dedos-duros, civis da alta burguesia, profissionais de nível médio e superior, que a sociedade precisa fazer justiça com a barbárie iniciada em 1964; ora difamando-a como homossexual feminina, por isso defensora de projetos que ofendem as igrejas, quando nas igrejas “tão puras” estão os pedófilos, os tarados, os chefes de quadrilhas, tudo na paz do senhor; ou ainda, ofendendo-a com palavras de baixo calão, por ser uma mulher corajosa e não ter interesse, como muitos homens da vida pública ou em empresas públicas, em vender o país e até mesmo seu povo, se para eles o preço valer.

No Rio de Janeiro, onde se recebeu grande cifra de verbas através de convênios com o Governo federal, se constitui uma tropa de choque fascista liderada por sujeitos como o presidente da Câmara de Deputados federais, o presidente da Assembleia Legislativa estadual e da Câmara de Vereadores da cidade, que abraçam corruptos e corruptores, grupos paramilitares e organizações de extermínio e terror legais e ilegais, e que desviam verbas de serviços sociais vitais como saúde, educação, ciência e tecnologia para financiarem sua corja de bandidos engravatados e não engravatados; apoiam os setores mais atrasados dos grandes e dos pequenos partidos e querem introduzir os “Cunhas” no poder executivo, liderando projetos como o da “terceirização” do trabalho como lei federal, a redução da maioridade penal para aumentar a matança nos presídios, e o fim da lei de responsabilidade fiscal estadual e municipal para extorquir o tesouro nacional.

Neste momento da conjuntura nacional podemos observar que começa a se desenvolver uma luta de classes aberta, marcada pelas manifestações de 16 de agosto convocadas pelas classes capitalistas fascistas, e pelas manifestações do dia 20 de agosto convocadas pelas centrais sindicais, organizações e movimentos sociais e partidos institucionais de esquerda, além de no mesmo dia loucos esquerdistas tentarem realizar uma passeata com a antiga mensagem do “contra todos”, sem sucesso, porque as forças em combate estão se definindo.



Aos Comunistas Revolucionários cabe a tarefa de denunciar não mais o Golpe eleitoral, mas o Golpe institucional que pretendem impor à presidenta Dilma Rousseff, como fizeram contra Getúlio Vargas em seu segundo mandato presidencial, e contra João Goulart em 1964.

Assim, acirrando a luta de classes em nosso país vamos buscando dar um basta à ofensiva das oligarquias financeiras.



* INVERTA - VOZ OPERÁRIA



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