Memórias da Resistencia - Documentário

 
No dia em que se completam 51 anos do Golpe civil-militar é lançado o documentário "Memórias da Resistência"


Em Agosto de 2007 Cleiton Oliveira, estudante de história e apanhador de cana de açúcar, junto com colegas de trabalho, encontrou em uma casa de fazenda abandonada documentos secretos da ditadura civil-militar brasileira, mais especificamente do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Entre os documentos estavam fichas de perseguidos políticos do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) da cidade de São Paulo e que foram expulsos de lá pela polícia e exército em 1968, e também das FALN (Forças Armadas de Libertação Nacional), movimento organizado na cidade de Ribeirão Preto-SP.

Além disso encontrou-se um "Manual de Subversão e Contra-Subversão" que tinha o intuito de direcionar os aparelhos repressores a qualquer pessoa que fosse contrária à ditadura.

Este filme conta a história do achado e também das pessoas envolvidas nas fichas encontradas por Cleiton e seus companheiros.

O filme conta também com entrevistas de profissionais envolvidos(as) ao resgate de memória da ditadura. Pessoas ligadas às Comissões da Verdade, Universidades e ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A ditadura civil-militar brasileira foi um período autoritário que deixou marcas profundas na população brasileira, que torturou e executou civis, parlamentares, estudantes, militares, religiosos(as), indígenas, operários(as), trabalhadores(as) rurais, dentre tantos(as) outros(as). Este filme é dedicado a todos e todas que lutaram contra o terrorismo de Estado e pelo fim da ditadura.
 
Veja agora o documentário:

 

Toada na Morte do Menino*
Edson José de Senne (Edinho Poeta)

Em março é belo o poente na praia do Boqueirão.
A água fica vermelha, a praia cor de limão,
a paz é quase infinita, luz e sombra em profusão;
mas, quando chega a notícia, vira tudo cerração.
Dá ânsia de quebrar pedra na cabeça da nação,
sair quebrando viola no peito da ingratidão,
por aquela ave mansa ferida no coração,
pelos balaços do ódio de repente sem razão.
Em março é belo o crepúsculo
na praia do Boqueirão.
Mas o pranto apaga tudo,
Medo embaça a claridão.
Era farsante, um bandido?
Delinquente fanfarrão?
Trazia livro ou granada, na breve destinação?
Carrasco que foi à cena, trouxe a resposta na mão
e Herodes do Calabouço tripudiou sobre João.
Salomé dobrou mortalha com incrível decisão
e a cabeça do menino foi exposta no balcão:
Morto talvez para que, um dia, alguém possa dizer não!
Numa pátria onde a verdade
tem correntes, como um cão,
quem morre por liberdade
quase nunca morre em vão.
Triste mês, triste poente, na praia do Boqueirão.
 
* retirado do livro "Memórias da Resistência".
 
Recordar, Refletir.
"PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA! E NUNCA MAIS ACONTEÇA !"
 
Veja agora o documentário:

Memórias da Resistência
 
 
 

Postagens mais visitadas