O Partido do militante anônimo, desprendido e abnegado

Republico o documento abaixo, pela relevância do que ele representa a todos militantes do PC do B, muito bem, escrito em seu conteúdo, onde registra o reconhecimento daqueles que participam da luta pelo fato, de acreditarem, de modo despojado, sem nenhuma hesitação, no comunismo e/ou socialismo. 
Convém ressaltar que a crença supracitada não surge do nada, não acontece por acaso, pelo contrário é fruto de muita dedicação, envolvendo muito estudo, e perspicácia, sobretudo, no que tange, à compreensão do passado,  à transformação do presente, e apontando para a construção do futuro, com luta, muita luta, acreditando na luta, e sempre na luta.

Como militante parabenizo e agradeço, ao PC do B, ao Zé por suas palavras.

Zedotoko

José Reinaldo Carvalho[ *]


Na comemoração do 93º aniversário do Partido Comunista do Brasil, minha homenagem ao militante anônimo, desprendido e abnegado, que luta diuturnamente pelos direitos do povo, a emancipação dos trabalhadores, a democracia, a soberania nacional e o socialismo, àquele que não pergunta o que ou quanto vai ganhar pela atividade, que não reivindica cargos nem prebendas. 



Volto a referir-me neste artigo - desta vez para ressaltar questão essencial à consolidação da construção partidária - ao 93º aniversário do Partido Comunista do Brasil, transcorrido em 25 de março, motivo de comemorações em todo o país em atos políticos e culturais organizados por comitês estaduais, municipais e casas legislativas.

Como já assinalamos – e o editorial do Portal Vermelho reitera – o aniversário do mais antigo partido do Brasil, um partido comprometido com as grandes causas nacionais e populares, é celebrado não apenas pelos comunistas, mas também por todos os democratas e patriotas que com ele têm estado lado a lado em grandes lutas de transcendência histórica. O que justifica retomar o tema é a menção indispensável ao principal homenageado – o militante. Nos tempos complexos, desafiadores e exigentes que vivemos, deve ser cada vez mais saliente o papel do militante anônimo, desprendido e abnegado, que luta diuturnamente pelos direitos do povo, a emancipação dos trabalhadores, a democracia, a soberania nacional e o socialismo, àquele que não pergunta o que ou quanto vai ganhar pela atividade, que não reivindica cargos nem prebendas.

Militar em um partido comunista é ter descortino de futuro, compromisso com a causa da libertação nacional e social, convicção, visão estratégica e consciência da missão histórica, o que se traduz por elevado nível político e ideológico. Requer também estudo e movimento, pensamento e ação, teoria e prática, porquanto as tarefas que temos diante de nós não se esgotam no curto prazo histórico, muito menos nos limites de um mandato governamental, legislativo, sindical, estudantil ou acadêmico.

Estas qualidades, por certo, não são inatas, adquirem-se com o tempo e na medida em que o partido se estruture em instâncias orgânicas que assegurem a plena vigência da democracia interna, aspecto indissociável do centralismo democrático, o debate vivo sobre a elaboração e aplicação da linha política, bem como um programa de comunicação e formação adequado, segundo os princípios da agitação-propaganda e da educação comunistas.

A militância é a base indispensável sobre a qual se ergue a política de quadros. O partido se fortalece a partir da conjunção de medidas multilaterais que contemplam a filiação, adesão e recrutamento de novos membros com uma eficaz política de quadros e estruturação orgânica. Sem queimar etapas nem adotar medidas artificiais, é cada vez mais necessário fazer convergir os conceitos e as práticas de filiado e militante e eliminar a dicotomia entre o exercício de funções institucionais, partidárias e nas organizações de massas, fazendo sempre valer a letra e o espírito dos estatutos, que normatizam a existência de instâncias dirigentes estáveis e consubstanciam o princípio da unidade das fileiras partidárias em torno destas e, em última instância o Comitê Central e seus órgãos executivos, entre um e outro congresso. É como se traduz o princípio do centro único de direção, o outro aspecto indissociável do centralismo democrático. Não há, pois, lugar para a existência de outros centros dirigentes a partir da ocupação de cargos eletivos ou administrativos em instâncias de poder nacional ou local.

Desde a nona conferência nacional, realizada em 2003, quando o coletivo partidário decidiu apoiar e integrar o governo do ex-presidente Lula – decisão que se renovou já pela quarta vez e se ratifica agora com a participação dos comunistas no governo da presidenta Dilma – o partido busca aperfeiçoar o método de direção tendo presente as vias de acumulação de forças que se inter-relacionam e complementam: a luta de massas, a batalha das ideias, a construção orgânica, a disputa eleitoral e a ação institucional.

Arar no mar? Não, se fizermos uma aposta consciente na realização de tarefas estratégicas, a mais importante das quais é a construção de um numeroso e forte partido comunista – de classe, revolucionário, com nítida identidade política e ideológica, consciente do papel e lugar que ocupa na vida política nacional e internacional, em uma época histórica com todas as suas condicionalidades e sobretudo com a clara perspectiva quanto à missão histórica de lutar pelo socialismo no Brasil e no mundo.

A comemoração do 93º aniversário é uma ótima ocasião para uma reflexão coletiva sobre estes temas tão relevantes para o desenvolvimento político, ideológico e orgânico do Partido Comunista do Brasil.


  [*] Jornalista, Diretor do Cebrapaz, membro da Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade e editor do Vermelho.

Postagens mais visitadas