Jandira Feghali: Reafirmar democracia contra avanço neofascista

Hoje, no Brasil, começa a ganhar fôlego uma opinião neofascista, antes tímida, escondida e disfarçada em função do País ter avançado na democracia. 

 

 Por Jandira Feghali[*]

Na semana em que debatemos o território livre da internet – que deve ser livre, neutro e com a garantia da privacidade – é preciso uma reflexão que expresso com grande indignação. Refiro-me ao debate sobre os efeitos da política na comunicação e os fortes impactos da mídia na política.
O PCdoB entrou com representação no Ministério Público Federal contra o SBT. Fizemos isso por considerar que a liberdade de opinião não pode dar guarida à incitação ao crime, ao ódio, à violência, ao desrespeito ao Código Penal e à Constituição Brasileira. Este tema bateu o recorde de comentários nas redes sociais.

Quase um milhão de internautas comentaram essa representação, na qual pedimos a interrupção de verba publicitária para a emissora. O que vemos a partir desta mobilização? A grande maioria apoiando a iniciativa, mas uma parcela muito agressiva, fundamentalmente no enfrentamento ideológico, porque sou comunista, porque a ação se deu a partir da bancada do PCdoB.
Outro fato no mesmo sentido se deu com a deputada Manuela D’Ávila, assaltada em Porto Alegre (RS). Várias e majoritárias foram as mensagens de solidariedade a ela, mas um grupo orquestrado a agrediu muito. Alguns afirmando que o assalto se justificava, porque seria distribuição de renda; outros defendendo que ela deveria ter morrido, porque é defensora dos direitos humanos. Uma parcela expressiva a atacou por ser ela comunista.
Cito esses dois exemplos porque hoje, no Brasil, começa a ganhar fôlego uma opinião neofascista, antes tímida, escondida e disfarçada em função do País ter avançado na democracia. Agora vemos ataques à presidenta Dilma, pelo fechamento do Congresso, contra os comunistas e propondo intervenção militar. É uma postura bem mais ofensiva daqueles que sempre defenderam a tortura, o regime militar. Que pensam que os comunistas são um erro, que não deveriam existir que são um problema para a democracia brasileira. Nos vinculam aos déspotas, aos ditadores.

O PCdoB é um termômetro da democracia. Quando é atacado, a democracia é também atacada. Historicamente, no período da ditadura e ao longo da sua existência, o Partido foi quem mais registrou vítimas na luta pela liberdade e pela democracia.
Temos que reagir a isso e combater essa direita reacionária no debate político. Vamos enfrentá-la cerceando a incitação ao crime e ao ódio na tevê aberta ou em qualquer meio de comunicação, porque liberdade de expressão não é isso.

Cabe a nós do Partido Comunista do Brasil, mas também a toda a esquerda brasileira, o enfrentamento dessa pauta ultrarreacionária contra o Estado Democrático de Direito, contra a democracia, contra o Brasil.

*É médica, deputada federal pelo PCdoB do Rio de Janeiro e líder da bancada na Câmara

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