“Alternativas” políticas à polarização PT x PSDB


Por Zedotoko Costa[*]

Intervenção Comunista
O cenário político para as presidenciais de 2014 está sendo delineado nas movimentações das forças políticas e das frações do capital. A ascensão imperialista do Brasil inevitavelmente assiste e assistirá cada vez mais ao surgimento de “novas” forças políticas e ao transformismo das forças tradicionais.
Começam a surgir possíveis contradições que poderão abalar a polarização PtxPSDB e não é um acaso que as forças que se apresentam sejam também expressão do ciclo reformista: o PSB do socialista Miguel Arraes e a “onda verde” da ex-petista Marina Silva.
Uma dinastia do Pernambuco
Eduardo Campos, 47 anos, é o principal herdeiro político de seu avô Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco por três mandatos. Filho de Ana Arraes, ex-deputada federal e atual ministra do TCU, com o escritor Maximiniano Campos, falecido em 1998, Campos é formado em Economia pela UFPE, tendo começado sua atividade política no Diretório Acadêmico da faculdade. No ano seguinte, foi chamado pelo avô a ser o chefe de gabinete do governo, com apenas 21 anos.
Em 1990 filiou-se ao PSB, foi eleito deputado estadual, quatro anos depois foi eleito deputado federal. Em 95, assumiu a Secretaria da Fazenda. Reelegeu-se deputado federal ainda por mais dois mandatos, foi chamado por Lula para o Ministério da Ciência e Tecnologia (2004-2005), saindo para disputar o governo de Pernambuco, ao qual foi reconduzido na última eleição, acompanhado de seu vice-governador, o empresário de setor de transportes, João Lyra Neto, que está em vias de sair do PDT para retornar ao PSB.
Campos preside atualmente o partido, representando o principal grupo político interno, que rivaliza com os Ferreira Gomes sobre o caminho a trilhar em 2014. Tanto Ciro como Cid Gomes, governador do Ceará estão mais alinhados com a coalizão petista. Segundo “O Globo” (26/02) “setores do governo e do PT apostam na estratégia de azedar a relação dos irmãos Ciro e Cid com Campos, a ponto de forçar a saída deles do PSB”.
Uma espécie de “tecnolítico
Campos está surfando a onda da emergência do Nordeste como região dinâmica, com ritmos elevados de crescimento. Segundo publicou o “Valor Econômico” (07/01), ouvindo a opinião de empresários que estão investindo na região e gostam do estilo do governador, Campos é uma espécie de “tecnolítico”, […] uma mistura bem resolvida de executivo agressivo e político habilidoso”. A opinião do “presidente de uma companhia que está investindo centenas de milhões de reais em Pernambuco” é de que “ele consegue criar um ambiente de negócios como nenhum outro político, porque tem um entendimento claro do cenário […]. 'Agressivo' é a definição preferida dos empresários que avaliam o governador”.
Por isso, muitos empresários o têm procurado para que leve adiante a perspectiva de se candidatar em 2014. Se é verdade que uma parte significativa dos investimentos pesados que estão sendo feitos no seu estado teve influência da gestão petista, ao mesmo tempo Campos aproveitou para estreitar laços cada vez mais sólidos com o empresariado.
Contatos com os “donos do PIB”
Para o “Globo”, “ o desempenho da economia em 2013 e o seu reflexo sobre o prestígio da Dilma vão ser decisivos para uma guinada do pernambucano rumo ao Planalto”.
Indo nessa direção, a “Folha”(17/03/13) reportou que ele tem feito contato com os “donos do PIB”, tem buscado principalmente apoio dos empresários do Sul e do Sudeste. “O assédio a ele se avolumou após as eleições municipais, quando o bom desempenho de seu PSB o credenciou a encarnar uma 'terceira via' […]. Setúbal foi um dos banqueiros que procurou Campos após as eleições municipais. […] Marcelo Odebrecht, da empreiteira que leva seu sobrenome, tem laços com todos os lados. Próximo a Aécio, o empresário tem se aproximado também de Campos, e celebrado diversos contratos para obras no Estado”.
O governador de Pernambuco andou conversando ainda a cúpula do Banco Santander e tem mantido contato com Jorge Gerdau e Sérgio de Andrade, da Andrade Gutierrez. No início do mês de março, um jantar foi oferecido por Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo, para apresentar Campos aos líderes varejistas.
Além disso, Campos tem flertado com vários partidos, tal como PDT, se aproximando do deputado federal Paulinho de Força (SP) – também presidente da Força Sindical – e de sindicalistas do Sul e Sudeste. O colunista do “Globo”, Ilmar Franco, relatou também encontro de Campos com o presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson, que teria dito que a porta está “aberta” para uma eventual composição com o PTB em 2014 .
Contudo, o neto de Arraes joga o jogo da ambiguidade calculada. Ataca o governo federal na sutileza de quem faz parte da coalizão governista, procurando já criar uma marca de diferenciação, mas sem atingir um ponto de ruptura, dada a incerteza de conseguir reunir forças para 2014. De qualquer forma, consciente de que acumula forças para 2018.
Do Partido Verde à Rede Sustentabilidade
Marina Silva, 53 anos é oriunda de família pobre, filha de seringueiro, foi tardiamente alfabetizada, com 16 anos. Formou-se em História pela Universidade Federal do Acre.
Já professora do Ensino Médio, engaja-se no movimento sindical, sendo uma das fundadoras da CUT do Acre. Em 1986, filiou-se, ao PT, na então corrente de José Genoino, o PRC (Partido Revolucionário Comunista). Foi vereadora, deputada estadual, e senadora por dois mandatos, além de ministra do meio Ambiente por 7 anos, no governo de Lula.
Desligou-se do PT para disputar a presidência pelo Partido Verde, com a justificativa da ética e do desenvolvimento sustentável. Posteriormente, segundo a revista “Carta Capital”, a saída do PV foi devido às discordâncias com o presidente do partido Jose Luiz Penna, que não teria dado muito espaço ao seu grupo.
Com o capital de quase 20 milhões de votos, nas eleições de 2010, Marina se engaja na fundação da Rede Sustentabilidade, com o demagógico discurso da “sustentabilidade e de uma nova forma de fazer política”.
Migrações políticas
O colunista do “Valor Econômico” (06/02/13), Cristian Klein, nos apresenta os homens que formam a “linha de frente do partido de Marina”.
“A maioria dos coordenadores nos Estados já está definida”. “Muitos oriundos do PT e do PV, mais alguns do PSOL, como a ex-senadora e hoje vereadora de Maceió, Heloísa Helena, e de outras siglas como PDT e PPS, mas em menor proporção”.
Soma-se a eles os oriundos do Movimento por uma Nova Política, além de políticos sem mandato, como é o caso do ex-deputado federal do PV Jose Aparecido de Oliveira, atual PPS, que em 2010 não concorreu à releição à Câmara para se candidatar ao governo do Estado em Minas Gerais para criar palanque para campanha presidencial de Marina.
No Paraná, a responsável pela articulação é a ex-deputada federal pelo PT Dra Clair, também ex-PV. No Amazonas, Marcus Barros é o responsável por encabeçar a organização do novo partido, foi presidente do IBAMA durante a gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente.
Um dos responsáveis pelo Movimento por uma Nova Política no Espírito Santo é o diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (BANDES), João Guarino Balestrassi, ex-prefeito de Colatina, membro do PSB, foi colocado pelo ex-governador Paulo Hartung para presidir a instituição.
Em Pernambuco, Marina conta com Sérgio Xavier, um dos fundadores do PV nacional e estadual. Atual secretário de Estado de Meio Ambiente e candidato a governador em 2010. Ainda há no Estado um “petista de origem entre os coordenadores: o ex-deputado estadual Roberto Leandro, que ainda consta como integrante da Executiva do PV pernambucano”.
O novo que nasce velho
E Goiás, a Rede fragiliza o PSOL. O articulador do novo partido é o presidente do diretório estadual, Martiniano Cavalcante, também membro da Executiva Nacional. “Em outubro, Cavalcante foi afastado pelo PSOL por ter tomado dinheiro emprestado do bicheiro Carlos Cachoeira […]. Em dezembro, no entanto, a direção do PSOL reintegrou o dirigente às funções partidárias […]. “ Cavalcante é do mesmo grupo do vereador pelo PSOL de Goiânia Elias Vaz de Andrade, ex-presidente do partido da cidade, que foi pego em gravações telefônicas comprometedoras com Cachoeira, e também deverá migrar para o RS.
A revista “Carta Capital” (20/02/13) confirma que cinco deputados federais teriam se comprometido a migrar para o novo partido: Alfredo Sirkis (PV-RJ), Domingos Dutra (PT-MA), José Antônio Reguffe (PDT-DF) e os tucanos de São Paulo Walter Feldman e Ricardo Trípoli. Além deles, figuras expressivas como Guilherme Leal, um dos donos da NATURA, que foi candidato a vice na chapa de 2010, e Maria Alice Setúbal, “herdeira do banco itaú”.
O futuro 31º partido do Brasil, Rede Sustentabilidade, que se propõe portador de uma nova forma de fazer política, nasce tão velho quanto os homens que encabeçam sua fundação.
A política burguesa da nova potência imperialista brasileira é a política reformista do grande capital. Apenas a política comunista não se ilude com o mito da democracia. A política comunista difunde cotidianamente o internacionalismo proletário e luta pela construção do instrumento que pode operá-lo: o partido leninista.


* Colaborador
Redação Intervenção Comunista/Círculo Operário.

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